Luzes, remédios tênis e cadeiras

Compartilhe nosso conteúdo

Está na moda dizer que o contato com a natureza faz bem pra saúde. E isso não é mentira, pelo contrário. Mas poucas pessoas vão além do óbvio e entendem a dimensão real dessa questão. Se conectar com a natureza não é abraçar uma árvore ou amar cachorrinhos fofos. Nesse texto eu pretendo mostrar algumas implicações menos óbvias, mas não menos importantes, da nossa desconexão com a natureza e suas consequências pra nossa saúde.

Desconexão com a natureza é, ao meu ver, uma forma mais simples de se referir à questão da incompatibilidade evolutiva. Incompatibilidade evolutiva nada mais é do que a constatação de que estamos vivendo em um ambiente radicalmente diferente do ambiente onde nossa espécie evoluiu para sobreviver e prosperar. Essa incompatibilidade gera problemas na medida em que o nosso organismo, por mais adaptável que ele seja, não dispõe de recursos para entender e saber se comportar adequadamente em um ambiente inteiramente desconhecido pela sua história evolutiva.

Boa parte das demandas, estímulos e sinalizações ambientais que antes provinham do mundo natural, das plantas, dos animais, um rio, uma montanha, areia, uma folha, agora vêm de invenções humanas e recentes. Concreto, plástico, metal, vidro. Esse distanciamento pode ser considerado como um dos grandes responsáveis pelos maiores problemas de saúde que vivemos nos dias que correm.

A incompatibilidade evolutiva é uma consequência do sucesso do homo sapiens. Ficamos inteligentes demais, rápido demais e alteramos demais o nosso ambiente pra adequá-lo às nossas necessidades de sobrevivência e conforto. Como diria Yuval Harari, somos os novos ricos da natureza. Em pouquíssimo tempo para os padrões evolutivos, deixamos de ser só mais uma espécie entre outras, para ser a espécie preponderante que dominou todo o habitat terrestre, modificando o planeta como nenhum outro animal conhecido. Toda essa modificação nos levou a viver em um ambiente com informações ambientais completamente diferentes daqueles que estiveram presentes na nossa história evolutiva. E como a principal tarefa de todo ser vivo é desenvolver mecanismos para perceber a informação do ambiente que o cerca e produzir comportamentos adaptativos que o permitam sobreviver naquele ambiente, viver em um ambiente muito distante daquele no qual evoluímos, vai confundir o nosso organismo, gerando problemas adaptativos e, consequentemente, representando um custo para a nossa saúde.

 

O distanciamento luminoso

Vamos dar um primeiro exemplo de incompatibilidade, que diz respeito ao tipo e quantidade de informação luminosa que recebemos nos olhos. Quase todas as células do nosso corpo têm um relógio biológico que se regula através da luz solar que recebemos, principalmente nos olhos – única parte do nosso cérebro exposta ao mundo externo. Essa informação luminosa foi, ao longo da nossa história evolutiva, o sinal que permite a regulação de quase todos os nossos processos fisiológicos. Ela é importante não só para o os nossos ciclos de sono e vigília, mas para o nosso sistema digestivo, imunológico, endócrino…

Ao nos distanciarmos desse ciclo natural de luminosidade, ao vivermos em ambientes fechados, com luz artificial constante, nosso organismo perde a referência dos ciclos do dia e da noite. A falta de contato com o estímulo luminoso do sol e o excesso de informação luminosa artificial, em horário e intensidades incompatíveis com a nossa evolução, confundem o nosso sistema, desregulando boa parte dos nossos processos fisiológicos.

Células que estarão “acordadas” quando era para estarem “dormindo”, e células desativadas quanto precisavam estar ativas. É como se todos os “trabalhadores” do nosso corpo estivessem com os horários desregulados, lutando para não dormir no trabalho e despertos sem conseguir descansar quando chegam em casa. É claro que isso vai gerar problemas pra nossa saúde.

 

Remédios, estilo de vida e a incompatibilidade

Vamos para o segundo exemplo. Remédios e estilo de vida.

Vamos imaginar José, um homem de 36 anos que apesar de levar uma vida normal para os padrões urbanos contemporâneos, está longe de ser uma vida saudável do ponto de vista da evolução da espécie. Trabalha em escritório sentado 8 horas por dia, consome regularmente “alimentos” ultra processados e bebe álcool toda quarta, sexta e sábado, e em alguns domingos quando a semana foi mais estressante.

Seu estilo de vida é inteiramente diferente de um caçador coletor ancestral, que, em média, andava em média 10km por dia, passava 2 horas de cócoras, fazia atividade física intensa todos os dias e às vezes precisava correr por horas para conseguir comida. Fomos caçadores coletores por mais de 95% do tempo da vida da nossa espécie, então é de se supor que haja uma espécie de condicionamento geral da nossa biologia para lidar com essas condições de vida. Não com a vida de José, que foi inventada anteontem.

Por conta disso, o organismo de José não é o mesmo de quando ele tinha 26 e já começa a enviar sinais, tentando levar José a mudar seu comportamento. Uma dor de estômago aqui, uma azia ali, tecido adiposo sobressalente, uma doença aqui outra ali… Mas sempre que a dor de estômago ou a azia aparece, José toma um omeoprazol e um antiácido. A cada ano que passa, a frequência das dores e da azia aumentam, e José é obrigado a tomar mais remédios.

Em relação aos quilinhos extras, José até se esforça, tentando comer menos no almoço, mas infelizmente esse sacrifício acaba indo por água abaixo nos dias em que chega exausto do trabalho, e tudo que seu corpo pede é uma pizza e um refrigerante. Ele tenta ir na smartfit 3x por semana. Na maioria das vezes, essas 3 visitas acabam virando 2 ou até 1. Na academia, ele caminha por 20 minutos em uma esteira enquanto vê o noticiário e depois empurra pesos em máquinas por mais 30 minutos enquanto escuta música. José aproveita o intervalo entre séries pra se entreter no Instagram.

Um belo dia, ao chegar para trabalhar ele percebe que Júlia, sua companheira de trabalho, perdeu peso. Está bem mais magra do que antes. Já no primeiro café do dia, José pergunta o que ela estava fazendo. Ozempic, diz Júlia. Remédio novo, milagroso. Perdeu 8kg.

Frustrado com o fracasso da sua tentativa de emagrecer, e empolgado com a possibilidade de resolver de uma vez por todas seu problema, José compra o Ozempic. O remédio funciona, e José perde peso. Ele fica feliz com o resultado, e encomenda mais caixas do remédio. Finalmente inventaram a cura da obesidade, pensa ele.

Alguns anos se passam, José segue tomando omeoprazol, antiácido e ozempic, com uma regularidade cada vez maior. No entanto, suas dores de estômago, azia e seu peso, estão cada vez piores. Agora, José está com mais dores, mais azia e mais gordo. E ainda tomando 3 remédios. Pelo visto não inventaram a cura das dores de estômago, da azia e nem obesidade. Apenas uma forma de postergá-la. E com um custo. “Estou ficando velho” diz José do alto dos seus 39 anos…

José não “está ficando velho”. Ou melhor, ele está envelhecendo sim, todos estamos. Mas essa não é a razão dos seus problemas. Nossa espécie evoluiu para viver bem até mais de 70 anos (sim, a ideia de que caçadores coletores morriam com 30-40 anos é um mito baseado em interpretação estatística errada. Hoje sabemos que nossa espécie vive bem até os 70 sem precisar de nenhum tipo de tecnologia moderna pra isso). Azia, dor de estômago crônicos, ou obesidade nunca foram problemas com os quais nossos ancestrais tiveram que se preocupar.

Vamos então entender melhor a questão de José e dos remédios. O que os remédios fazem de fato no corpo de José? Eles eliminam a azia, a dor de estômago e a obesidade. Mas azia, dor de estômago e obesidade, não são a causa do problema de José. Elas são o sintoma. O efeito aparente de um problema anterior que está no estilo de vida de José, incompatível com aquele para o qual sua biologia está adaptada para lidar. Ou seja, o problema é a incompatibilidade evolutiva.

Obesidade, dor de estômago e azia são o sinal que o corpo envia para tentar mostrar pra José que ele está fazendo besteira. E o que os remédios fazem? Eles silenciam essa sinalização. Permitindo que José siga fazendo mais besteira, aprofundando a incompatibilidade evolutiva, porque agora ele não sente mais os sintomas da incompatibilidade.

Quando José toma um Ozempic, seu apetite não está sendo regulado pelo fato dele ter mudado sua alimentação e adotado uma vida menos sedentária. Seu apetite foi forçado pra baixo por um remédio e, com isso, os sintomas – os quilos a mais – tinham sumido sem que a causa primeira fosse endereçada. José seguiu vivendo no mesmo ambiente engordativo de sempre, seu corpo seguir recebendo informação incompatível e ainda agora passou a receber mais uma nova informação do ambiente, na forma de remédio, desencadeando mais efeitos colaterais imprevisíveis. É de se esperar que, com o passar do tempo, José tenha recuperado todo o peso perdido, e agora estava mais velho, mais gordo e mais doente, com todos os efeitos colaterais adicionais.

José é um caso comum e clássico de descolamento da natureza, de incompatibilidade evolutiva. Como uma pessoa que substitui a luz solar por luz artificial, José substituiu as sinalizações alimentares e de movimento que o nosso corpo evoluiu pra receber, por sinalizações antropogênicas, comidas processadas e sedentarismo. E ao receber a “reclamação” do seu organismo, as silenciou com remédios. Mais uma solução antropogênica. Duplo descolamento, dupla incompatibilidade evolutiva. Seria muito difícil José não ter, em algum momento, que arcar com os custos desse distanciamento.

 

Cadeiras e a incompatibilidade

Vamos falar das cadeiras, mais especificamente as cadeiras ergonômicas. É comum pensarmos que cadeiras ergonômicas são fundamentais pra qualquer pessoa que trabalha sentado e que queira evitar dores. Afinal, um bom suporte pra lombar e pra cervical e um suporte pros braços acolchoado fazem toda a diferença no seu conforto no trabalho. Cadeiras duras, sem suporte “fazem mal pra lombar”. Costas saudáveis precisam de cadeiras ergonômicas. Tudo isso parece atestar o óbvio. Afinal se você, acostumado com uma cadeira ergonômica, tentar trabalhar por 30 minutos em um banquinho sem encosto, é quase certo que a sua lombar vai estar gritando. E não vão faltar pessoas “preocupadas” que vão te oferecer, por uma bagatela de alguns milhares de reais, uma cadeira milagrosa que vai acabar com a sua dor nas costas.

Ok, vamos ver se essas afirmações se sustentam na prática, buscando entender os mecanismos neurofisiológicos que acontecem pra gerar esse tipo de dor. O que é a dor que surge depois de você ficar 10 ou 20 minutos sentado sem se mover? Ela se chama dor nociceptiva isquêmica, ou química não inflamatória. Quando você senta por muito tempo, você está comprimindo os vasos sanguíneos, sobretudo dos seus glúteos e posteriores de coxa contra a cadeira. Menos sangue, menos oxigênio pras células dessas áreas. Menos oxigênio, significa que o PH dessas células diminui, ficando mais ácido. PH mais ácido é sinal irritativo, que tende a ativar nossos sensores de perigo presentes nesses músculos que, por sua vez, enviam sinais para o cérebro, possivelmente ativando as regiões cerebrais responsáveis por emitir sinais de dor.

Ora, do que estamos falando aqui? De um mecanismo ancestral de sinalização das nossas células, que avisa para o nosso cérebro: “olha, você está há muito tempo sem se mover. Por favor, vai se mexer pro sangue voltar a circular por aqui e a gente não morrer”.

E qual a solução que nós damos pra esse problema? Respondemos de forma compatível à sinalização das nossas células e damos movimento para o nosso corpo? Não. Damos uma cadeira ergonômica pra elas. Que é como um remédio. Porque o que a cadeira faz? Acolchoa, silencia essa sinalização de dor do corpo, nos permitindo ficar cada vez mais tempo imóvel sem receber a sinalização de movimento que o nosso corpo evoluiu para enviar sempre que ficamos imóveis por tempo demais.

Resultado? Menos dor no curto prazo, trabalhadores mais produtivos, empresas felizes. Mas no médio e longo prazo? Mais e mais sedentarismo, mais fragilidade, mais dores e mais problemas de saúde para os indivíduos ergonômicos que acham que um suporte acolchoado para a lombar está resolvendo seu problema, quando é apenas uma maneira de empurrar a sujeira para baixo do tapete, permitindo inclusive que o problema se agrave.

De novo, uma caso clássico de incompatibilidade evolutiva. De distanciamento das sinalizações naturais, ancestrais do ambiente e do corpo. Nesse caso a sinalização é a dor, como uma resposta desagradável do corpo, à falta de movimento, para tentar modificar nosso comportamento, na direção de mais movimento. Mas essa dor é silenciada por uma tecnologia humana. A cadeira ergonômica. Nos abrindo a possibilidade de passar no crédito o problema do sedentarismo e só pagar essa conta no futuro, com juros claro.

 

O tênis e a incompatibilidade

Agora vamos ao exemplo que, talvez, seja o menos óbvio de todos. O tênis.

Muitas pessoas buscam na corrida a solução para os problemas de sedentarismo contemporâneo. E a corrida é muito sedutora. Aparentemente um exercício ancestral, validado no tempo, responsável por sermos quem somos. Humanos são corredores natos. E nada disso é mentira. Pelo contrário. Basta olhar pro tamanho e grossura do nosso tendão calcâneo para perceber que nós, seres humanos, somos plenamente adaptados para correr. Se um profissional de saúde te disser que “correr faz mal pros joelhos”, troque de profissional imediatamente. Essa pessoa não entendeu nada.

O problema começa quando nos distanciamos, sem perceber, daquilo que é uma corrida compatível com a evolução da nossa espécie. Citarei três grandes elementos que distanciam a corrida moderna daquela que nosso corpo evoluiu para fazer. Se considerarmos a corrida numa esteira, quatro, pois correr sem sair do lugar, em cima de um chão que se move embaixo de você é muito diferente de realmente se deslocar no espaço e ter que efetivamente empurrar para trás o chão para correr. Mas vamos lá para os outros três.

Em primeiro lugar, não somos corredores crônicos. Evoluímos para correr por muitas horas sim. Mas não sem parar. E não todo dia. As caças de persistência dos nossos ancestrais eram intermitentes. Intercalávamos corrida com caminhada e trote e até breves descansos. Segunda diferença. Corríamos na terra basicamente. Não no asfalto, nem no concreto. Terceira diferença, corríamos descalços.

Nesse ponto você já deve estar percebendo onde quero chegar. Meu argumento é que os tênis acolchoados estão para os nossos pés assim como as cadeiras acolchoadas estão para a nossa coluna. Me explico.

Sim, evoluímos para correr. A corrida está no nosso DNA. Nossa espécie tem um corpo adaptado para corrida. Mas porque então nos lesionamos tanto correndo? É claro que há múltiplos fatores explicativos e lesão é um fenômeno complexos que tem a ver com tudo isso que falei aí em cima e mais coisas ainda. Estamos mais frágeis e mais sedentários. Não pretendo encontrar “o único culpado” pelas nossas lesões. Apenas trazer luz a uma questão pouco óbvia que, ao meu ver, tem influência no fato de sofrermos tantas lesões ao fazer uma atividade para a qual estamos totalmente adaptados para fazer.

Porque o que o tênis acolchoado permite, como a cadeira ergonômica e o remédio ao silenciarem as sinalizações naturais do nosso corpo, é que a gente se aprofunde no erro de fazer mais daquilo que está nos prejudicando. Um tênis acolchoado tira da jogada mais de 70 mil terminações nervosas, 26 ossos, 20 músculos, 27 articulações e 114 ligamentos, que evoluíram para sentir o solo e se comunicar com o nosso cérebro para modular nosso comportamento de maneira adaptativa.

Um pé descalço correndo em chão irregular, além de permitir uma coordenação motora mais compatível com a nossa evolução, ainda enviaria sinais de desconforto para o nosso cérebro caso estivéssemos passando do ponto. Mas o tênis abafa e acolchoa nossos pés. E nos torna “cegos” pro tamanho da nossa incapacidade e sedentarismo. Faz uma pessoa que não consegue levantar 20kg do chão, supor que vai conseguir correr 21km, em asfalto duro, sem parar.

E como todos usamos tênis cada vez mais acolchoados para correr, culturalmente, os parâmetros do quanto devemos ou podemos correr vai subindo para níveis completamente descolados da nossa real capacidade de corrida. Mais um clássico caso de descolamento, de incompatibilidade evolutiva. Além de não prevenir lesões, pois é isso que os estudos científicos nos mostram, os tênis acolchoados nos permitem, mais uma vez, passar a conta do nosso sedentarismo no crédito e pagar essa conta com juros, em forma de lesão futura.

“Mas Vicente, eu li os estudos e não há superioridade em termos de prevenção de lesões em quem corre descalço”. Ok, aí temos que recorrer a Taleb. Veja bem. Não é o pé, adaptado por milhões de anos para correr em chão natural, que tem que provar sua superioridade em estudos científicos. Ele já mostrou sua superioridade na vida real, pelo simples fatos de estarmos vivos e não termos sido extintos. Os nossos pés descalços nos ajudaram a sobreviver em uma savana repleta de leões e crocodilos, a uma temperatura de 30-40 graus. Se isso não é prova de sucesso, eu não sei o que é.

Portanto, quem tem que mostrar superioridade em estudos é o tênis e, até hoje, temos um total de 0 evidências nesse sentido. A incapacidade dos estudos científicos em comprovar a superioridade dos pés em relação ao calçado, deve ser vista como uma limitação dos estudos, e não do pé descalço. E pelo princípio da precaução, qualquer pessoa sensata, deveria considerar como hipótese nula, a de que o pé é superior ao tênis. Isso não quer dizer, é claro, que você deve jogar seus tênis fora e começar a correr descalço na terra do dia pra noite. Como em tudo, é necessário um processo adaptativo.

Espero ter conseguido demonstrar como, no final das contas, remédios, cadeiras e tênis, são só diferentes representações de um mesmo problema. Que é o distanciamento, em todos os aspectos da nossa vida, das sinalizações, dos estímulos que o nosso corpo, as nossas células, estão acostumadas a receber para funcionar adequadamente. Em suma, o problema da incompatibilidade evolutiva.

Espero ter te dado ferramentas para pensar sobre a sua saúde a partir de uma perspectiva evolutiva que, ao meu ver, é a forma mais certeira de compreender os problemas de saúde atuais.

E por último, espero ter instigado sua curiosidade para aprender mais sobre a nossa história evolutiva, afinal, esse é um tema que não se ensina em praticamente nenhuma faculdade da área de saúde e que também é um dos fatores que contribui para a nossa ignorância sobre como lidar com essa questão.